Operação Usura: MPAM apreende R$ 160 mil, veículos, joias e até plug anal em investigação contra PM e advogados suspeitos de agiotagem em Manaus

Operação Usura: MPAM apreende R$ 160 mil, veículos, joias e até plug anal em investigação contra PM e advogados suspeitos de agiotagem em Manaus

O Ministério Público do Estado do Amazonas (MPAM), por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), com apoio da Polícia Civil, deflagrou nesta segunda-feira (27) a Operação Usura, que investiga uma organização criminosa suspeita de envolvimento em agiotagem, extorsão e cobrança de juros abusivos em Manaus.

Durante o cumprimento dos mandados judiciais, as equipes apreenderam dois veículos, cerca de R$ 160 mil em dinheiro em espécie, joias, documentos, aparelhos celulares e um plug anal. A Justiça também determinou o bloqueio de contas bancárias dos investigados.

A operação tem como alvo um grupo suspeito de conceder empréstimos com valores de até R$ 200 mil por vítima, impondo cobranças com juros que poderiam chegar a 70% ao mês. Segundo o MPAM, os pagamentos eram exigidos por meio de supostas práticas de intimidação psicológica contra os devedores.

Entre os investigados estão um policial militar e três advogados. Os escritórios dos profissionais também foram alvos das buscas, por suposta ligação direta com os investigados.

Investigação começou após denúncia de servidora pública

De acordo com o MPAM, a investigação foi iniciada há cerca de quatro meses após uma denúncia apresentada por uma servidora do Poder Judiciário, que relatou a atuação do grupo contra servidores públicos.

Com o avanço das diligências, o Gaeco identificou uma estrutura organizada voltada para a concessão de empréstimos ilegais e para a cobrança das dívidas, com possíveis ameaças e pressão sobre as vítimas.

As investigações apontam que a maioria dos alvos do esquema seria formada por servidores públicos, principalmente ligados ao Poder Judiciário. O número total de vítimas e o prejuízo financeiro causado pelo grupo ainda estão sendo levantados.

Mandados foram cumpridos em bairros de Manaus

Ao todo, 24 pessoas físicas e jurídicas são investigadas na operação. Nesta fase, a Justiça autorizou o cumprimento de dois mandados de prisão e 16 mandados de busca e apreensão.

As ações ocorreram em imóveis localizados nos bairros Japiim, Ponta Negra, Centro, Adrianópolis e Flores, na capital amazonense.

Um dos mandados de prisão ainda não foi cumprido. Conforme o MPAM, o investigado não foi localizado e é considerado foragido.

Durante a operação, duas pessoas foram presas em flagrante, sendo uma delas pelo crime de desacato.

PM e advogados estão entre investigados

Segundo o Ministério Público, um policial militar e três advogados estão entre os investigados por suposta participação na organização criminosa.

As equipes realizaram buscas em locais ligados aos suspeitos, incluindo escritórios de advocacia. O material apreendido deverá passar por análise para auxiliar no avanço das investigações.

Operação segue em andamento

O coordenador do Gaeco e do Centro de Apoio Operacional de Combate ao Crime Organizado (CAO-Crimo), promotor de Justiça Leonardo Tupinambá, informou que as investigações são conduzidas pelo promotor André Epifânio e continuarão para identificar toda a extensão da atuação do grupo.

O MPAM informou que o objetivo das próximas etapas é localizar novas vítimas, calcular os prejuízos causados pelo esquema e verificar se outras pessoas participaram da organização criminosa.

Os investigados poderão responder pelos crimes de organização criminosa, extorsão e prática de agiotagem, conforme o resultado das apurações.

joshueevita@gmail.com

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